Peste suína na China eleva exportação de carne de porco brasileira

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Doença que dizimou um terço da produção no país oriental estimula investimentos no aumento da capacidade de abate de produtores nacionais

Já era sabido que 2019 seria o ano do porco no horóscopo chinês. O que ninguém imaginava é que também seria no Brasil. Empresas brasileiras exportadoras de suínos, como BRF, Aurora e JBS, aumentaram as vendas para a China no primeiro semestre e estão investindo para lucrar mais com o aumento da demanda chinesa por proteínas. Mesmo os frigoríficos Minerva e Marfrig, produtores de carne bovina, estão se preparando para surfar essa onda.

A peste africana — doença hemorrágica altamente contagiosa provocada por um vírus que só atinge porcos — chegou à China em 2018 e se espalhou rapidamente. O país asiático deve perder, só este ano, um terço de sua produção de carne suína, o equivalente a 16 milhões de toneladas, diz a consultoria global INTL FCStone. Os porcos são a principal fonte de proteína animal na dieta dos chineses. Para dar conta da demanda interna, o país de quase 1,4 bilhão de habitantes aumentou muito o volume de carne importada.

Embora os efeitos da peste só devam ser sentidos com mais intensidade em 2020, o impacto já aparece nas vendas dos exportadores de suínos brasileiros. Dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) mostram que a exportação de suínos alcançou US$ 953,3 milhões entre janeiro e agosto, alta de 20% em relação ao mesmo período de 2018. Praticamente metade de toda a carne suína brasileira exportada teve a China como destino no período. Foram 16% para Hong Kong e 33% para o restante do país. No total, os chineses compraram 466,1 mil toneladas este ano, mais que os 410,8 mil toneladas adquiridos no mesmo período de 2018.

Exportadoras brasileiras já estão aumentando a produção para ganhar mercado na China, algo que o Brasil tem melhores condições de aproveitar do que os principais concorrentes nesse setor: EUA e União Europeia. Na avaliação de Renato Rasmussen, diretor de inteligência de mercado da consultoria especializada em agronegócio INTL FCStone, os americanos estão sujeitos às barreiras da guerra comercial desencadeada pelo presidente Donald Trump contra a China e os europeus têm dificuldades para aumentar rebanhos em pouco tempo:

“Seria um crime perder esta oportunidade de mercado. Pelo menos 75% do consumo de proteína animal na China são de suínos. O Brasil é o país que poderá suprir esse vácuo”.

O mesmo entusiasmo se vê nas empresas. A BRF, dona das marcas Sadia e Perdigão, começou a acompanhar de perto a situação na China no fim de 2018. Este ano, vai investir R$ 170 milhões para ampliar suas exportações para a Ásia e também para outros mercados. Em julho, autoridades sanitárias chinesas visitaram plantas da BRF, o que sinaliza que a decisão de habilitá-las depende apenas de entendimentos entre os governos chinês e brasileiro e pode sair em breve.

“A peste é um evento sem precedentes. Com a habilitação de novas unidades para exportar para a China, devemos vender 30% a mais nos próximos anos” diz Felipe Uliano, diretor de Planejamento da BRF.

As exportações da BRF para a China praticamente dobraram no segundo trimestre deste ano. Além disso, a companhia foi beneficiada por um aumento dos preços entre 20% e 30% nos suínos. No mesmo período, as vendas da JBS para o país asiático cresceram 32% quando comparadas ao mesmo período de 2018 e ajudaram a empresa a obter um lucro de R$ 2,18 bilhões. Por meio de um acordo com a Alibaba, gigante do comércio eletrônico chinês, a JBS já vende carne pela internet na China — bovinos, aves e suínos.

Com tamanho apetite chinês, os investimentos da JBS no Brasil este ano foram direcionados para o aumento de capacidade das unidades que vendem para a China. O objetivo é elevar entre 15% e 20% a exportação para aquele país em pouco tempo.

“A JBS, com mais plantas ao redor do mundo, leva vantagem nessa corrida. As exportações de carne bovina da unidade da Austrália, mais perto da China, já cresceram 68%, enquanto a de ovinos subiu 85% no segundo trimestre”, observa Ilan Arbetman, analista da corretora Ativa Investimentos, com sede no Rio.

Também de olho na China, a Cooperativa Central Aurora Alimentos, de Santa Catarina, resolveu dobrar a capacidade de abate da sua principal unidade de suínos, em Chapecó (SC). Em outubro, o abate ali vai subir de cinco mil para dez mil cabeças por dia. O investimento é de R$ 268 milhões.

Como a China é o país que mais produz e consome carne no mundo, qualquer mudança em seu mercado interno tem impacto global. Embora o governo chinês tenha liberado carne de porco congelada para aumentar a oferta interna, ninguém aposta que será suficiente para suprir o consumo. Com menos porco no mercado, a demanda dos chineses por outras carnes também tende a subir. A Minerva, que exporta carne bovina para a China a partir do Uruguai, Argentina e Brasil, também espera crescer com a crise suína.

“Com a melhora de renda dos chineses e ocidentalização dos hábitos, os chineses estão consumindo mais carne bovina, inclusive carnes nobres. Já é o nosso principal mercado de exportação e vai crescer mais com a habilitação de novas plantas”, diz Edison Ticle, diretor financeiro da Minerva.

FONTE: Agência O Globo

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