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Arrecadação com exportações de madeira no Pará cresce 89%

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Resultado positivo é alívio diante das dificuldades que o setor viveu nos últimos dois anos.

Entre janeiro e maio de 2022, as exportações de madeira do Pará cresceram 89% em valor arrecadado e 4% na quantidade exportada, na comparação com o mesmo período de 2021. A venda internacional de madeira pelo estado do Pará movimentou cerca de US$ 180 milhões, com mais de 108 mil toneladas de produtos madeireiros enviados para fora do país. A alta foi puxada, principalmente, pela exportação de madeira perfilada (pisos, decks, tacos e frisos), que apresentou aumento de 111%. Este foi, também, o principal produto exportado, representando cerca de 76% do total movimentado no período. O principal destino dos produtos paraenses continuaram sendo os Estados Unidos, responsável por cerca de 60% das importações, seguidos da França (16,2%), Dinamarca (8,13%), Holanda (7,71%) e Bélgica (6%). Os dados são da Associação das Indústrias Exportadoras de Madeira do Estado do Pará (Aimex).

Outros produtos que contribuíram para puxar esses dados para cima foram artefatos de madeira para mesa e cozinha, que cresceu mais de 170% em valor e 180% em quantidade exportada, e painéis de fibras aglomeradas, os famosos MDFs, que até o ano passado não eram exportados e esse ano já se apresentam como o terceiro principal produto da pauta de exportação de madeira, movimentando mais de US$ 14 milhões nos cinco primeiros meses do ano.

De acordo com o presidente da Aimex, Eduardo Leão, a produção florestal madeireira no Estado vem superando um cenário de sucessivas dificuldades, entre elas a pandemia da Covid-19, problemas técnicos e estruturais de órgãos ambientais locais e até mesmo um desabastecimento de contêineres de armazenamento para exportação, que afetou o setor exportador de todo o mundo.  

“No entanto, aos poucos, estamos conseguindo atravessar esses desafios e enxergar um horizonte mais promissor para a produção florestal e para a exportação de madeira paraense. Esse primeiro semestre do ano que está acabando é uma prova disso, pois, apesar de um cenário ainda de incertezas a nível mundial, com uma guerra acontecendo, a pandemia que ainda convive conosco e uma inflação que vem afetando o mundo todo, estamos fechando esse balanço parcial de forma positiva, conseguindo retomar nossa produção, lançar novos projetos e firmar novos contratos”, diz Leão, ao lembrar que a Associação esteve recentemente em uma feira do setor na França.

Outro fator que pode ser positivo para a produção paraense são mudanças implementadas na produção florestal europeia, principalmente as realizadas pela Rússia. O país recentemente proibiu a venda de madeira em tora oriunda de suas florestas e fixou uma taxa sobre a exportação de madeira serrada acima de 10 cm de espessura. “Essas medidas farão a madeira russa ficar mais cara, o que pode fazer com que a União Europeia, nosso segundo principal importador, procure mais os produtos paraenses”, explica o consultor técnico da Aimex, Guilherme Carvalho.

A proibição da exportação de madeira em tora oriunda de florestas nativas, que a Rússia coloca em prática agora, já é realidade no Brasil desde 1989, em um pleito encabeçado pela própria Aimex junto às autoridades. Hoje, quase a totalidade dos produtos exportados pelo Pará possui um alto valor agregado, como pisos, decks, portas, janelas, utensílios de cozinha, entre outros. Para isso, foi preciso a indústria fazer o dever de casa e investir alto em tecnologia e qualificação de mão de obra. “A conta é simples: quanto maior a agregação de valor, ou seja, quando mais trabalhado é um produto, mais gera renda, emprega mais e com postos de trabalho melhor. E esse trabalho, a indústria florestal paraense fez lá atrás, somos pioneiros nesse quesito”, afirma Carvalho.

FONTE: O Liberal

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