Preço de produtos agrícolas tende a recuar

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Crédito: Thiago Antonio Ienco/Embrapa

Grandes safras nos Estados Unidos, clima quase perfeito para o plantio no Brasil e sinais de desaceleração das compras pela principal compradora, a China, estão aumentando as ofertas de duas das principais commodities comercializadas globalmente: soja e milho.

A alta dos estoques indica que os preços dessas principais safras, bem como de outros produtos básicos, como açúcar e café, podem ter atingido seu pico após o aumento causado pela pandemia, disseram agricultores, negociadores e analistas.

Os preços mais baixos de produtos agrícolas seriam uma boa notícia para os consumidores depois que os preços globais dos alimentos dispararam para o nível mais alto em uma década, de acordo com a agência de alimentos das Nações Unidas.

A diminuição da oferta e a forte demanda global nos últimos 18 meses impulsionaram a inflação dos alimentos e geraram temores de escassez.

Soja e milho mais baratos reduziriam o custo da alimentação de criações e da indústria de carnes. Mas a queda dos preços pode ameaçar os lucros dos agricultores, especialmente depois que as empresas de sementes e fertilizantes elevaram os preços dos insumos agrícolas.

Desde que atingiu máxima de quase uma década em maio, os futuros da soja na Bolsa de Chicago caíram 27%, enquanto os futuros do milho caíram 24%, depois que as condições de cultivo quase perfeitas em amplas áreas dos Estados Unidos levaram a uma colheita abundante.

O mercado de soja está sob maior pressão, uma vez que o aumento da oferta e as preocupações com um esfriamento da demanda chinesa estão pressionando os preços para baixo.

A China, maior compradora global de soja, desacelerou as compras nos últimos meses devido às margens ruins de processamento de soja em farelo e óleo. Analistas dizem que os embarques para a China em 2021 podem ser inferiores a 100 milhões de toneladas devido a um colapso na lucratividade do setor de suínos e um forte aumento no uso de trigo para ração animal.

Embora o mau tempo tenha lançado dúvidas sobre o estado da safra de milho da China, o USDA e analistas privados preveem que a China importe menos do grão do que no ano passado. A oferta global de milho deve aumentar 4,1% na safra 2021/22, de acordo com dados do USDA.

A China deve importar 20 milhões de toneladas de milho em 2021/22, ante 29 milhões de toneladas em 2020/21, disse um analista de um instituto do governo chinês no final de setembro.

“Dado o atual equilíbrio de oferta e demanda, acredito que os preços mais altos ficaram para trás”, disse Camilo Motter, negociador de grãos no Brasil, maior produtor global de soja, açúcar e café.

Tempo ideal  – A Argentina, considerada o terceiro maior fornecedor mundial de milho e o quarto maior fornecedor de soja neste ano, deve produzir uma safra recorde do cereal e uma safra maior da oleaginosa do que no ano passado, de acordo com a Bolsa de Grãos de Buenos Aires.

Após uma temporada de cultivo difícil, o Brasil teve um clima ideal para o plantio de sua próxima safra – longos períodos de dias secos para o trabalho de campo seguidos por chuvas abundantes que ajudaram a conduzir as safras nos estágios iniciais de desenvolvimento.

Café – No cinturão do café brasileiro, caiu a maior quantidade de chuva no mês de outubro desde 1983, depois que os agricultores sofreram com a pior seca de quase um século no início de 2021.

Embora alguns danos já tenham sido causados ​​às plantas por geadas e secas, os participantes do mercado acreditam a ampla umidade pode dar um grande impulso à safra do próximo ano.

O Grupo Montesanto Tavares, grande produtor e processador de café no Brasil, espera a safra perto do recorde em 2022. “As chuvas abundantes dos últimos 20 dias trouxeram fôlego aos agricultores”, disse o Grupo Montesanto Tavares.

Cai demanda da China por carne

Pequim – As importações de carne pela China em outubro caíram em relação ao ano anterior para o menor nível em 20 meses, mostraram dados alfandegários no domingo, à medida que a carne suína doméstica barata reduziu a demanda por suprimentos no exterior.

A China viu desembarques de 664 mil toneladas de carne em outubro, queda de 12,8% em comparação ao mesmo mês do ano anterior, de acordo com a Administração Geral das Alfândegas, o menor volume desde fevereiro de 2020.

Os desembarques nos primeiros 10 meses de 2021 foram de 8,05 milhões de toneladas, queda de 1,5% ante os volumes do ano passado, mostraram os dados. As importações de outubro também diminuíram em relação às 694 mil toneladas trazidas em setembro.

A maior parte das importações de carne da China é de cortes de porco, mas os preços domésticos despencaram este ano, depois que um aumento na produção após a devastadora epidemia de peste suína africana superou a demanda.

Embora os preços da carne suína tenham subido em outubro à medida que o clima mais frio impulsionou o consumo, eles ainda estão menos da metade do que eram no início do ano, ou cerca de 21 iuanes (3,28 dólares) por quilo nos mercados atacadistas.

Pequim pediu aos agricultores que se livrem de algumas porcas e não se apressem em expandir baseados no recente rali, com o excesso de produção previsto para continuar no próximo ano.

FONTE: Diário do Comércio

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